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Sistema de Trânsito Europeu corrupto???

Diego Ferro Volta ao Mundo

Você está dirigindo em São Paulo, em uma estrada com limite de velocidade de 100km/h e de repente, com uma única e minúscula placa, a velocidade é reduzida para, pasme, 40km/h, seguida de um radar eletrônico. Seus pés vão ao freio desesperadamente quando você vê pelo retrovisor um belo de um flash, imortalizando aquele momento. Como nos tempos antigos, após algum tempo você abre sua caixa de correios e recebe sua foto bem romântica com uma singela multa!

Será que só eu passei por isso? Acho que 130% dos motoristas de São Paulo já passaram por isso. E este não é o único tipo de caso onde a máfia do sistema de transito atua com foco em engordar os cofres do estado ou deixar os bolsos dos policiais bastante rechonchudos. Claro que os subornos estão sempre em atividade para fazer um natal mais feliz… e outros mais tristes!

HoD_Policia1No México, há um ano atrás, alugamos um carro por dois dias. Fomos parados pela polícia e… adivinha?? A polícia mexicana, famosíssima pelo alto índice de corrupção, buscou loucamente por drogas. Encontraram um cachimbo, aqueles de Sherlock Homes,  que ganhei do meu irmão e que vinha acompanhado de tabaco com aromas deliciosos de chocolate e baunilha. A conversa durou um certo tempo até que o assunto copa do mundo desviou as atenções e o capitão mandou o soldado “desencanar” do tal fumo!

Durante nossa viagem pela América também conversamos com muitas pessoas que viajavam, principalmente, de moto. Todos foram unânimes em apontar a falta de honestidade de nossos vigilantes das leis de trânsito.

Outra unanimidade que abrange todo o continente colônia é de que a polícia não é sua amiga! Você muitas vezes não sabe se tem mais medo dela do que dos próprios ladrões.

É meu amigo… estamos já há 2 meses dirigindo pela Europa e podemos dar um parecer sobre o sistema de transito português e espanhol. Vale lembrar que a Espanha é tida como o país mais corrupto – no geral – da Europa, enquanto Portugal ocupa o nono lugar, segundo estudo realizado pela União Européia.

Amparados pelos históricos e pela realidade brasileira e latino-americanas, esperávamos encontrar um tratamento semelhante. Estávamos preparados para lidar com políciais corruptos e sempre atentos a uma falha nossa para nos garfar umas verdinhas.

Passamos por quatro intervenções policiais diretas e outras poucas onde nós acionamos a polícia. Vamos aos “causos”…

Estávamos dirigindo pela Espanha e uma dupla de policiais passou de moto por nosso carro. Naquele momento, ainda acostumado com o sistema brasileiro de pilotagem, eu dirigia pela pista da direita da estrada. Os policiais reduziram velocidade e ficaram paralelo ao nosso carro. Por mímicas ele disse o seguinte: “A pista da esquerda é para ultrapassagens. A pista da direita é para ser utilizada sempre que não houver ultrapassagens. Vá para o seu lugar!”. Fiz o sinal de ok, tomei a pista da direita, e os policiais seguiram viagem, assim como eu o fiz. Não fomos parados, multados ou subornados! Fomos instruídos!



Nossa segunda intervenção aconteceu na Costa Brava, litoral norte da Espanha. Este litoral é conhecido por pequenas praias – lindas por sinal – conectadas por uma estrada estreita e sinuosa. Como estamos de motorhome precisávamos encontrar um local para dormir. Como somos extremamente corretos, buscamos por lugares permitidos para estacionamento e pernoite. Encontramos um local sem sinalização e paramos para dormir, imaginando que seria ali seria permitido. Mas estávamos enganados e, às 2:30hs da madrugada dois policiais bateram a nossa porta. Naquele momento pensei: “Fodeu! Multas, subornos…”. Para minha surpresa, o policial nos informou que o local era proibido e que a gente deveria seguí-lo para que dormíssemos em um local seguro e gratuíto. Chegamos ao local, eles nos cumprimentaram e continuaram seu trabalho. Mais uma vez uma atuação instrutiva sem envolvimento de notinhas verdes…

A terceira intervenção também ocorreu com o carro em movimento. Um policial passou por nós, que desta vez estávamos certinho na pista da direita, e ficou olhando para dentro do carro. Sem entender nada, acenei gentilmente. O policial, percebendo que não tínhamos entendido bulhufas da mensagem de que algo estava errado, apontou para os pés da Gabi que estavam no painel, dizendo que era proibido. A Gabi abaixou os pés e o policial seguiu viagem.

Por fim, já em Portugal, fomos parados em uma batida policial… Nem documentos solicitaram. Queriam saber os dados de nossa viagem à Espanha para estatísticas do país. Fomos parados para uma pesquisa!

De forma ativa, acionamos a polícia algumas vezes para pedir informações e sempre fomos extremamente bem recebidos.

Outra coisa que achamos incrível foi o sistema de controle de velocidade das estradas, que privilegia a educação do motorista, e não a penalização por pagamento de multas absurdamente altas e descabidas. Sempre que você está em uma estrada e está chegando a uma cidade a velocidade é, naturalmente, reduzida. Ao invés de multar o condutor que mantém a velocidade acima do limite, há um sistema de semáforos que funciona da seguinte forma: se você passar acima do limite, o semáforo que está a 200 metros de distância fecha, e o condutor terá que parar “preciosos” segundos para pagar pelo fato de não ter respeitado a velocidade. Show não?

O que sentimos aqui é que o sistema de trânsito dá preferência a educação dos condutores. O sistema é preparado visando ensinar aos motoristas qual a forma correta de dirigir e de se comportar. Não se trata de alimentar os cofres públicos com mais dinheiro da população mantendo o trânsito um caos, como podemos ver em muitos lugares no Brasil. É evidente que não se pode isolar o problema da corrupção aos agentes de trânsito e que a realidade vivida em cada continente é completamente diferente. Mas porque será que é tão difícil fazer tão e somente o que é certo?

Por aqui, até agora, não vimos corrupção ativa e direta contra o cidadão. Vimos respeito. Talvez nós tenhamos tido um pouco de sorte… Enfim… Um dia chegamos lá!

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Quem escreve

Diego Ferro

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Atualmente dedica-se a compartilhar histórias e visões que podem mudar o mundo! Em ano sabático, busca o descobrimento pessoal, traduzindo em fotografias os momentos de reflexão gerados pelos cliques do dia a dia. Não é fotógrafo, não é jornalista... a menos que a paixão pelos assuntos o qualifique! Encontra-se no status "viajante".

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