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Pueblos Mancomunados: vida em comunidade!

Gabriela Muniz Volta ao Mundo 4 Comments

Conhecemos os Pueblos Mancomunados pelo guia de viagens Lonely Planet, e já pelas descrições, nos apaixonamos pelo lugar pois enxergamos ali a possibilidade de fazer nosso primeiro trekking mais longo depois dos dias maravilhosos na Chapada Diamantina. Nunca tínhamos ouvido falar de belos trekkings no México mas a empolgação foi crescendo ao pesquisarmos mais informações sobre essa região.

O que não imaginávamos é que conheceríamos ali um exemplo de sociedade que funciona para todos.  Para nós, uma história absolutamente inspiradora que nos faz acreditar que ainda existem pessoas que conhecem e se preocupam com as relações humanas, de forma que todos sejam beneficiados, e valorizam a natureza e os recursos que ela tem a oferecer sem destruí-la.

Um pouco de história desses povos

Os Pueblos Mancomunados são hoje um conjunto de 8 comunidades localizadas na Sierra Norte de Oaxaca, que desde a época pré-hispânica já trabalhavam em conjunto afim de atender da melhor maneira todas as necessidades de suas pessoas.

O que se sabe é que os primeiros habitantes de Sierra Norte foram 10 famílias Zapotecas (indígenas) que abandonaram seu povoado natal em busca de terras mais férteis. Desde então se criou um vínculo muito forte entre todos os vilarejos que foram surgindo na região. Há um lenda que diz que Guzio, “O Senhor das Montanhas”, vive até os dias atuais em Sierra Norte e cuida de todas as pessoas da montanhas. Foi graças a Sua proteção que os povos indígenas fundaram povoados prósperos, trabalharam seus recursos com sabedoria e realizaram intercâmbios comerciais com vilarejos vizinhos.

Mesmo com a chegada dos espanhóis há muitos anos, esses povos de certa forma reagiram e mantiveram alguma independência em sua forma de vida dentro das comunidades. Conseguiram manter o controle de suas terras e cuidam das mesmas até os dias de hoje.

As terras pertencem a todos os que fazem parte dos Pueblos Mancomunados e cada comunidade tem um líder, que em conjunto com os outros decidem como os recursos devem ser aproveitados, quais áreas devem ser reservadas ao cultivo, quais áreas são permitidas para a construção de casas e como os diferentes empregos são divididos dentro das comunidades.

Projeto de Ecoturismo

Por volta de 1994 um projeto de ecoturismo foi concebido como modelo de desenvolvimento regional na região de Sierra Norte. Os bosques da área são amplamente reconhecidos já que a grande variedade de micro ambientes que ali se encontram, sustenta uma diversidade abundante de fauna e flora. Foram considerados pelo Fundo Mundial da Natureza, como únicos no mundo por conta de sua riqueza biológica.

O objetivo da criação do projeto foi assegurar a preservação do patrimônio natural das comunidades a longo prazo e gerar uma renda extra para as pessoas, sem permitir que um turismo desordenado modificasse a dinâmica e cultura desses pequenos vilarejos, que encontram na natureza, sua forma principal de sobrevivência. Os Pueblos Mancomunados se dedicam quase exclusivamente à agricultura de subsistência e o excedente é vendido para os vilarejos vizinhos.

A atividade turística iniciou naquele ano de 1994 na comunidade de Benito Juarez e todos os benefícios dessa atividade foram estendidos às comunidades dos Pueblos Mancomunados a partir de 1998, com a participação dos governos locais, apoio da Embaixada Canadense e da Comissão de Cooperação Ambiental. Neste mesmo ano foi criada uma rede de 100 km de trilhas sinalizadas unindo todos os vilarejos do Pueblos Mancomunados.

Foi então criada a empresa comunitária Expediciones Sierra Norte (http://sierranorte.org.mx), que inaugurou um escritório de divulgação, promoção e venda direta na cidade de Oaxaca, sendo administrada e operada por membros das comunidades.

A Expediciones Sierra Norte é uma empresa de ecoturismo indígena que pertence e é operada pelos Pueblos Mancomunados. Trata-se de uma iniciativa de cooperação intercomunitária que promove a preservação do patrimônio natural e cultural das localidades, através de um tipo de turismo responsável e de alta qualidade. As pessoas que visitam a região ainda conseguem observar as tradições e costumes dos povos, que os preservam de geração a geração. Essa iniciativa incentiva a criação de empregos locais, além de permitir o desenvolvimento de instrumentos de gestão e aprendizagem que ao serem aplicados nos âmbitos empresarial e ambiental, permitem que comunidades encontrem soluções adequadas para desafios que muitas vezes limitam o bem estar das pessoas e a manutenção dos ecossistemas na sua forma mais pura.

Em relação as atividades oferecidas em Pueblos Mancomunados há muitas opções: trilhas curtas ou longas caminhadas de 2 a 7 dias, visita a mirantes naturais, tirolesas, arborismo, passeios de bike ou cavalo, além da hospedagem em chalés extremamente agradáveis que incluem refeições típicas e muito saborosas, camas confortáveis, lareira e banho quentinho. Também é possível se hospedar em casas de família, caso o turista queira conhecer mais de perto como vivem essas pequenas comunidade, no qual a maior população não chega a 700 pessoas e a menor conta com aproximadamente 90 pessoas.

Como as comunidades são todas integradas, é possível fazer caminhadas de um povoado ao outro e ao chegar, sempre há pessoas da equipe das Expediciones Sierra Norte esperando para orientar aonde o turista ficará hospedado e se deseja fazer diferentes atividades naquele povoado.

A nossa experiência

Optamos por fazer um trekking de 4 dias na região e nos hospedar parte em casa de família, para conhecer os costumes das pessoas mais de perto e parte nos chalés, para desfrutar um pouco do conforto após longas caminhada em altitude.Conhecemos 4 dos Pueblos Mancomunados: Cuajimoloyas, Latuvi, La Neveria e Benito Jaurez. Ficamos encantados com a experiência completa que vivemos nesses dias!

Andamos quase sempre na companhia de guias muito simpáticos e muito conhecedores da fauna e flora da região. Com cada um deles aprendemos uma particularidade sobre uma espécie de animal, uma planta diferente e também muito sobre a história, comida e festas típicas de suas comunidades. As guias mais novas que tivemos foram uma dupla de irmãs de 10 e 14 anos que nos ensinou muito! Sentamos a mesa com uma família de Latuvi que nos contou um pouco de sua história, de suas aspirações e também de sua comunidade. Em todos os lugares fomos muito bem recebidos pelas pessoas, que sempre nos preparavam refeições deliciosas e típicas da região. Desfrutamos dos chalés super confortáveis. Comemos os melhores cogumelos de nossas vidas, colhidos na região.

 

Ficamos amigos de uma menininha linda e muitíssimo inteligente em Neveria, passamos uma tarde inteira brincando com ela, conhecendo sua família por meio de seus desenhos e até escolhendo nomes para seus cachorrinhos, galinhos e burrinhos que moravam todos em sua casa! E ainda tivemos uma aula de história do México com ela, o que nos deixou boquiabertos. Ainda em Neveria nos hospedamos na casa de uma senhora indígena e pudemos perceber as condições precárias que esses povos ainda vivem.

  

O banheiro é praticamente um buraco no chão e o chuveiro uma casinha isolada com uma tubulação improvisada.Entretanto conversando com a senhorinha, que notamos que estava bem suja, pudemos perceber que ela é feliz! Nos falou com orgulho de sua comunidade! Nos disse que lá poderíamos sempre andar tranquilos, que não havia problemas de segurança ou stress da cidade grande e que estávamos rodeados por uma grande tesouro: a natureza! O que dizer depois de uma lição de vida como essa?

Por tudo isso resolvemos compartilhar com nossos leitores um pouquinho desse projeto e das pessoas que encontramos na região! Vivemos intensamente e nos inspiramos muito naquele pedacinho não muito conhecido do México!

 

Converse com a gente!

Comentários

Comments 4

  1. Marcio

    Comunidade hoje em dia é raridade.. até mesmo nas igrejas, que levam essa palavra no nome. Temos muito o que aprender sobre isso, com certeza. Taí um lugar que eu gostaria de conhecer.. Muito legal o post. Bjao.

    1. Diego Ferro

      Aeee Má!!! Agora sim!!! Adoramos todos os seus comentários, irmão! Valeu por acompanhar e participar com a gente deste momento único! Saudades!
      Beijos!
      Di e Gabi

  2. CARLA

    ” Amai ao próximo como a ti mesmo”

    Esta é a expressão mais fiel da caridade, pois é o resumo de todos os deveres para com o próximo.
    Quando a maioria de nós tomarmos como base de conduta este ensinamento, não haverá lugar perigoso no mundo, todos os lugares serão seguros.

    Nas comunidades indígenas não existe o “eu”, somente o nós.
    O trabalhos (pesca, lavoura, cuidado com as crianças, caça) são comunitários. De todos para todos.

    Adorei a história!

    Carla Fernandes

    1. Post
      Author
      Gabriela Muniz

      Carlinha!!!! É uma delìcia saber que você está nos acompanhando e gostando das informações e histórias! Realmente cada vez que encontramos algo que inspira de certa forma, queremos mais é compartilhar mesmo!!!! Em breve mais algumas histórias e projetos que vimos pelo México e gostamos muito!!! Saudades master de vc e do Luis!!!! Bjocassss

      Gabi e Di!

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