Nossos perrengues em Salvador!

Gabriela Muniz Volta ao Mundo 1 Comment

As pessoas geralmente dizem que uma viagem sem perrengues não é uma viagem completa! Nós já temos alguns para contar por aqui, afinal a grande jornada precisava começar com chave de ouro.

Nossas impressões de Salvador não foram das melhores, mas após uma reflexão nós imaginamos que os perrengues e a grande festa de São João que deixou a cidade bem bagunçada, podem ser as justificativas para nosso sentimento. Talvez uma nova visita num momento mais tranquilo seja necessária para tirar algumas más impressões!

Chegamos em Salvador na última sexta feira dia 21/06, após alguns dias mágicos e renovadores na Chapada Diamantina. Organizamos uma hospedagem pelo Couchsurfing com muita dificuldade, já que era feriado na cidade e maioria das pessoas estavam fora. Depois de nos inscrever num grupo emergencial de Salvador para pedidos de última hora, fomos aceitos por um membro que disse que nos ajudaria mesmo estando fora da cidade. Isso nos deu tranquilidade e não nos preocupamos mais com o assunto até chegar na cidade no dia 21.

Com as coordenadas na mão após uma conversa rápida pelo telefone, resolvemos ir até a casa oferecida, ainda com o carro que alugamos para ir pra Chapada, para evitar pegar ônibus com o mochilão, pois o pessoal da locadora nos alertou que não era muito seguro. Alugamos o carro somente para viajar pela Chapada e por isso o devolvemos no dia da volta à Salvador. Quando olhamos no Google Maps, vimos que o local era próximo a uma favela mas não demos muita importância.

Hands on Dream - Salvador - Brasil

Foi bem curioso o caminho. Primeiro passamos por uma avenida bem feia. Entramos na avenida da orla e ficamos mais tranquilos. Até entrar no local indicado pelo GPS e o ambiente começar a mudar. Sabe quando você está dirigindo, se perde e sem querer entra num lugar feio que dá um certo receio? E de repente entra num beco pior ainda? Foi exatamente isso! Entramos no coração da favela e a cada rua o cenário era pior. Chegamos na rua indicada bem intimidados e como bons paulistas desconfiados, tomamos a decisão de desistir. Passaram muitas hipóteses pela cabeça e a intuição falou mais alto. Sentimos que coisa boa não devia ser e demos meia volta.

Esse episódio acabou influenciando todo o nosso dia. Tínhamos hora certa para devolver o carro e de repente não tínhamos mais onde dormir numa sexta feira pré feriado. Fomos de carro até o Pelourinho e pesquisamos pela internet algumas opções baratas de albergues por lá, até acharmos uma opção que parecia se encaixar nas nossas possibilidades. Porém o endereço não aparecia no GPS de jeito nenhum. Ligamos para pegar as coordenadas e a dona do local nos informou que estava muito próxima de onde estávamos e viria nos buscar pois era mais fácil.
Aguardamos 10, 20 30…50 minutos e nada! Ligamos no albergue duas vezes e ninguém sabia informar sobre a proprietária! A hora da devolução do carro já estava quase expirando e estávamos a 30 km do aeroporto! Desespero total! Depois de 1 hora e 10 min esperando, desistimos. Procuramos alguns locais ali nas proximidades mas tudo era caro. E o tempo passando… e já teríamos que pagar horas extras do carro! Até que o Di teve a grande ideia de pesquisarmos no Fousquare pelo celular e finalmente achamos um albergue decente no Pelourinho! Muito limpo e arrumadinho, e ainda com café da manhã! Finalmente nos sentimos em casa!

Já passava das 17:30 quando voltamos para o aeroporto para devolver o carro que estava marcado para ser devolvido as 14:00. No fim das contas o pessoal de lá foi bem compreensivo e só pagamos R$ 3,00 de hora extra, hehe! Porém quando estávamos lá, a empresa da frente estava sendo assaltada e a locadora precisou fechar as portas até tudo se tranquilizar! Que dia!

Voltamos para o centro de ônibus e a partir daí tudo ficou mais tranquilo. Claro que tivemos mais alguns contratempos durante a estadia, mas que graça teria se não tivéssemos histórias para contar!

Alguns pontos nos deixaram bem tristes com Salvador:

  • Cidade muito pobre de um modo geral;
  • Muita, mas muita sujeira nas ruas, nas praças e nas praias urbanas;
  • Cheiro desagradável (urina e lixo) em diversos locais, principalmente na região do Pelourinho;
  • Pessoas mal educadas e não tão hospitaleiras como na região da Chapada;
  • Muitos moradores de rua por toda a parte. Eles te encaram e te olham feio. Chega a dar medo!;
  • Lindas construções antigas muito mal cuidadas e praticamente esquecidas, com exceção do Pelourinho.

Mas não tem como negar a rica cultura que é percebida em todos os lugares da cidade. É uma mistura de diferentes povos, cores e sabores que se reflete na culinária de temperos fortes e marcantes. As roupas das baianas, as rodas de capoeira nas ruas, as quadrilhas de São João com suas roupas coloridas e danças típicas, as fitinhas do Senhor do Bonfim que formam uma cortina colorida nos portões da igreja do Bonfim, a mistura de religiões e as diversas cores no labirinto de ruas do Pelourinho!

Hands on Dream - Salvador - BrasilRecebemos nossa primeira visita ilustre de amigos muito mais que queridos! Sr e Sra Danilino e Nathalina! Compartilhamos momentos maravilhosos assistindo o jogo do Brasil e Itália na Arena Fonte Nova em Salvador. Estádio bem equipado e estruturado! Realmente de primeiro mundo. Uma pena ver casas tão pobres ao redor de uma construção tão imponente. Realidade brasileira muito bem descrita. Nós nos divertimos mesmo, comemos acarajé e passamos uma dia relaxante na praia de Itaparica no dia seguinte ao jogo! Obrigada seus lindos! E estamos esperando visitas frequentes hein!

Dicas de Itaparica

Hands on Dream - Itaparica - BrasilUma dica para os que forem a Itaparica de balsa. Nós fomos para a praia de Ponta de Areia e passamos uma dia num restaurante chamado O Manguezal. Lugar agradável a beira mar, com redes, sombra, decoração bem típica, equipe muito simpática e comida honesta. Vale andar um pouco mais e não ficar nos restaurantes principais logo ali no calçadão. Basta andar em direção a praia de Itaparica que fica depois de Ponta de Areia.

Na volta para Salvador, como já era tarde, a balsa não nos deixou no mesmo local que partimos (Mercado Modelo). Saímos num lugar bem feio e estranho. Foi necessário pegar um ônibus até o Mercado Modelo de volta. Ninguém nos avisou e por isso se informe antes de sair de Itaparica. A balsa para lá é diária e custa R$ 4,20 (seg a sab) e R$ 5,60 (dom e feriados). Os mesmos valores valem para a volta.

O São João

Hands on Dream - Festa de São João - Bahia - BrasilA festa de São João lotou o centro da cidade. Uma festa muito bonita de se ver com barraquinhas por toda a parte, bandeiras coloridas, bonecos enormes e muitos palcos com shows diários e gratuitos. Cantores ilustres como Alceu Valença e Gilberto Gil estiveram presentes. Entretanto muita gente, muita bagunça, muita sujeira e nós não conseguimos ter a real impressão do Pelourinho. Em alguns dias não era possível andar nas praças e isso acabou nos desanimando por conta de tamanha multidão.

Para os que gostam de muvuca e bagunça, vale a pena! O São João é muito tradicional na Bahia e é a segunda maior festa depois do Carnaval. Gostamos de sem querer participar de tal evento. Nosso objetivo é realmente conhecer as tradições de cada lugar visitado e certamente tivemos sorte de ver essa festança tão curtida pelos nativos da Bahia!

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Comentários

Comments 1

  1. maria eliane

    Puxa vida que relato hein gabi, fiquei apreensiva e feliz, vc descreveu muito bem a estadia em Salvador, pude sentir como se estivesse com vcs.

    Bjos!

    Estou adorando!!!

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