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O encanto maia!

Gabriela Muniz Volta ao Mundo 10 Comments

Uma avalanche de cultura, de vida real passando pelos nossos olhos, ouvidos e entrando na alma de um jeito que ainda não conseguimos processar exatamente.

Aqui no Lago de Atitlan andamos em meio as cores: nas roupas típicas das mulheres e também dos homens, nas toalhas de mesa dos restaurantes, nas paredes decoradas dos hotéis, nas ruas, nos cemitérios, nas lojas e barraquinhas de artesanatos. É incrível de se ver! É uma música para os olhos!

E em meio as cores e cultura tão presentes nas ruas, resolvemos nos aventurar no mercado mais famoso da Guatemala, frequentado por grande parte dos locais da região, na cidade de Chichicastenango.

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Saimos do pequeno vilarejo de Panajachel sem a menor idéia de como chegar em “Chichi”, nome carinhoso dado a cidade. Perguntamos nas ruas e descobrimos que precisaríamos de 3 transportes públicos para chegarmos até lá! A experiência tão única começou aí. Primeiro foram 15 minutos dentro de um Chicken Bus. O ônibus chegou ao vilarejo de Sololá e quase fomos expulsos de dentro de um ônibus e empurrados para dentro de outro! Muitos homens gritando para entrarem nos ônibus, cada um para um destino! Uma bagunça engraçada, um coro de vozes, uma zona generalizada!

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Entramos no nosso segundo Chicken Bus, colorido e absolutamente lotado! Nas poltronas de dois lugares, três pessoas, ou ainda três pessoas e uma, duas ou três crianças. Todos locais, todos coloridos em suas roupas típicas. Parecia que tinham vestido suas roupas mais bonitas para a festa da cidade! Mas só estavam vivendo seu cotidiano, indo visitar a família, indo ao mercado. Nos sentimos em outros tempos. E aquilo tudo não era um tour organizado para turista ver! É a vida como ela é! As mulheres sentadas com seus bebês enroladinhos nos panos coloridos colados em suas costas. Todos quietinhos e sem chorar. Suas saias bordadas, blusas coloridas, cabelos enfeitados do mesmo jeito que vemos nas barraquinhas de artesanatos! Os homens também com roupas típicas! Bermudas listradas, camisas coloridas, chapéu na cabeça. A língua não era espanhol e sim maia, na maioria do ônibus! Cheiro de gente, de tortilha, de comida. O corredor do ônibus mal dava para alguém passar. Todos estavam espremidos, colados, sentindo o calor um dos outros! E entramos nessa dança. Nos acomodamos entre os indígenas e lá ficamos, durante meia hora, desconfortáveis, mas absolutamente extasiados com a experiência simples para eles e única para nós. O cobrador pulava, se espremia entre todos e passava em cada poltrona para cobrar o irrisório valor da passagem. E a cada esquina o ônibus parava e mais gente entrava e se espremia! Ali sempre cabe mais um!

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E o show só começava, num dia muito agradável de tantas experiências interessantes para nós! Meia hora depois chegamos em outro vilarejo. Los Encuentros. Assim como antes, saltamos de um ônibus a uma van. Essa estava normal. Cheia, porém partimos com o número limite de pessoas sentadas. E pensamos que assim chegaríamos a “Chichi”. Doce ilusão. A van, num percurso de meia hora parou mais de 10 vezes. E a cada parada mais pessoas entravam e quase nenhuma saia! E inexplicavelmente elas cabiam, em pé devido a sua baixa estatura, também encolhidas quando já haviam muitas pessoas em pé, e depois umas em cima das outras! E finalmente chegamos! O passeio para nós já valia por mil!

Começamos a andar nas pequenas ruas todas rodeadas pelo grande mercado! Uma grande feira livre a céu aberto! Nas barracas, tudo que se pode imaginar. Muito artesanato colorido, colchas, bolsas, panos, lenços, brinquedos, frutas, verduras, comida de rua, bebidas, roupas usadas, utensílios de cozinha, produtos de limpeza. Uma infinidade de produtos capaz de preencher todas as necessidades de um casa!

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E novamente homens, mulheres e crianças andando apressados em suas roupas típicas, fazendo suas compras, almoçando em família nas barraquinhas de rua ou se preparando para ir a igreja.

Chegamos à praça principal e encontramos a famosa igreja aonde se realizam cerimônias maias. Uma igreja católica, com santos católicos e rituais maias. Puro sincretismo religioso. As escadarias cobertas por mulheres vendendo flores brancas e amarelas para os rituais. Um cheiro forte de incenso no ar. Algumas fogueiras acontecendo, sinal de que ali acontecia alguma cerimônia. Entramos na igreja, aonde é expressamente proibido tirar fotos. Os maias acreditam que fotos roubam a alma das pessoas. Não estava muito cheia. Algumas pessoas rezavam sentadas nos bancos  e outras sentadas no chão em volta de velas e dizendo palavras maias com fervor. Encontramos uma senhora, guia da região que nos ofereceu levar para presenciar um ritual maia que acontecia naquele momento no alto de um morro. Decidimos arriscar! A cultura maia nos encanta desde que a conhecemos no México.

Era realmente em cima do morro! Andamos pelas ruas de Chichi e fomos entrando em vielas aonde já não se viam mais os poucos turistas que visitavam a cidade. Somente maias, a pé e em cima de grandes caminhonetes que servem de transporte público, prontos para seguirem para seus vilarejos após as compras.  Deixamos a vielas, e seguimos para uma estrada de terra, passamos por um milharal e andamos numa trilha morro acima por meia hora! Chegamos numa clareira aberta. Ali uma família completa: marido, esposa, três filhas, avós e um xamã, líder espiritual ou curandeiro que se comunica com os deuses e ajuda as pessoas a terem boa saúde, amor, prosperidade nos negócios da família. Havia uma fogueira e nela ovos, bebida alcóolica e alguma comida não identificada queimavam como oferendas aos deuses.

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A guia nos explicou que aquela cerimônia acontecia como um pedido de prosperar o comércio da família. O xamã precisava limpar a alma de todos e se comunicar com os deuses maias para completar o ritual. Algumas vezes também sacrificam animais, mas não era o caso. Assistimos a tudo extasiados, impressionados e ao mesmo tempo encantados com as diferenças. Nem saímos do continente americano e nossos vizinhos centro americanos vivem a vida de um modo tão único e diferente do nosso!

O resto do dia foi levado pelas andanças no mercado, nas barraquinhas, pelas rua lotadas. Cada momento naquele lugar era uma oportunidade
para vivenciar a vida maia. Sentamos por mais de meia hora na escadarias da igreja só para ver o movimento. Famílias carregadas levando suas compras, pessoas almoçando no chão ou nas escadas, mulheres amamentando, crianças brincando e também trabalhando, músicos tocando e pedindo um trocado, mulheres acomodando seus filhos nas costas de forma rápida e ágil para em seguida os envolverem com seus panos! É tão bonito e tão interessante ver como carregam as crianças, que nos inspiramos e até compramos nosso primeiro acessório infantil. Um desses panos, lindos e coloridos para carregarmos nossos filhinhos !!! Todos os sete!

Foi uma tarde inteira só vivendo e absorvendo essa experiência! Difícil explicar a sensação que tivemos com esse dia. Não foi preciso pagar nada para sentirmos uma felicidade plena dentro daquele ônibus lotado de maias, na clareira na hora do ritual, ou ainda andando pelas ruas do mercado e assistindo a vida acontecer. Uma paz interior e a certeza de que estamos encontrando aquilo que buscamos em dias simples, lindos e intensos como esse!

Que venham mais momentos únicos! Estamos muito felizes e prontos para nos emocionar novamente! Sem dúvidas esse dia ficará marcado com muito carinho em nossas memórias!

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Comentários

Comments 10

  1. maria eliane

    Puxa vida! Diante de comentários tão lindos. nem sei o que escrever. Fico tímida, mais queria dizer algo, por isso… Parabéns!!!!!

    1. Post
      Author
  2. Gilberto Antonio Ferro

    Valeu Gabinha!!! A linguagem do espírito é universal. Então, pude me emocionar com as imagens coloridas e sua narrativa. Quase cheguei a sentir o cheirinho da comida maia. Lembrei que “somos todos um só”. Entendi novamente o por que disso.Fiquei novamente um pouco mais humilde, com uma melhor noção de quem sou e do que sou feito: Tudo e nada, de tudo e de nada, ao mesmo tempo. Escrevo com os olhos marejados, e a alma revigorada e esperançosa. É maravilhoso fazer uma linda diferença, como você e o Di estão fazendo. Grato por isso minha querida. Milhões de beijos!!!.

    1. Post
      Author
      Gabriela Muniz

      Giba!!!!
      Vindo de um poeta que escreve tão divinamente, eu fico feliz e muito honrada de saber que meu texto te tocou e te emocionou!!!! Tentei expressar no papel o nosso sentimento tão intenso frente a uma vivência linda que tivemos! De fato foi um dia marcante e dividir essa emoções é a nossa maior felicidade!!!! Obrigada pelas suas palavras!!!! Elas são muito muito importantes e só me estimulam a escrever mais e tentar o meu melhor a cada dia que passa!!!! Beijos muito carinhosos!!!
      Gabi

  3. felipe rosa pereira

    … Texto muito intenso que conseguiu me transportar da minha tediosa mesa de trabalho para viajar com vocês…Vivi aquela meia hora sentado na escada.
    Nas minhas viagens procurava sempre fazer coisas do gênero, parar e ver a vida local acontecer.
    Valeu por dividir momentos assim! Necessário!
    Abraços.
    Felipe

    1. Post
      Author
      Gabriela Muniz

      Nossa Felipe!!
      Que incrível ler seu comentário!! É exatamente isso que queremos! Que nossos leitores de certa forma viagem conosco!!! Que sintam ao menos um pouquinho o que estamos vendo, sentindo, aprendendo!!! Saber que nossas palavras de transportaram para um lugar melhor nos faz muito felizes e com mais vontade de escrever e dividir nossas experiências! Obrigada por nos acompanhar!!!!
      Grande abraço

      Gabi e Di

  4. Naldo

    Gabi, como sempre seus textos são de uma grandeza que não tenho palavras para descrever! Continuem assim, na aventura, na parceria, na tristeza e tudo mais… vocês são demais! Beijos e saudades de vocês!

    1. Post
      Author
      Gabriela Muniz

      Naldo querido!!!!
      Nosso fiel seguidor!!!! Adoro seus comentários!!! E fico feliz de saber que estou melhorando na escrita!!! Que de alguma forma consigo tocar aqueles que lêem nossas experiências!!!! Obrigada você por estar sempre tão perto e tão presente!!!
      Bjos enormes pra vc Pati e suas duas lindas princesinhas!!!!

  5. Andrea Estevão

    Gabi e Di, estou acompanhando com muito interesse essa viagem-projeto de vocês! Amei esse relato. Deu muita vontade de conhecer a Guatemala! Muito bom quando a vida se mostra em todas as suas cores! Feliz por vocês e agradecida em poder compartilhar dessa linda e vívida experiência.

    Beijos da prima Andréa.

    1. Post
      Author
      Gabriela Muniz

      Prima querida!!

      Percebemos que vc está muito presente!!! Sempre curtindo e comentando nossas fotos, textos, experiências!!! Ficamos muito muito felizes de saber que vocês está curtindo e viajando conosco!!! É uma forma de sempre estarmos mais perto, certo!!? E isso só nos dá mais vontade de compartilhar nossas histórias e aprendizados!!! Obrigada por suas palavras!!!
      Bjos estalados!!!

      Gabi e Di

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