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Conheça o santo dos fumantes e cachaceiros!

Gabriela Muniz Volta ao Mundo 3 Comments

A Guatemala é um país cheio de surpresas culturais e para nós, conhecer o Maximon, foi no mínimo curioso!

O Maximon ou San Simon, nome dado pelos espanhóis colonizadores, ou Rilaj Maan, nome que os maias o conhecem, é uma mistura de santo católico com uma divindade maia e é adorado por muitos e odiado por outros tantos. Alguns dizem que ele é um deus, outros dizem que ele é o diabo.

HANDSonDREAM-Guatemala-55Independente das opiniões diversas, sua imagem se apresenta de algumas formas diferentes! Ele pode estar vestido assim como um espanhol, com calças, botas, camisa e chapéu, imagem que vimos em San Andres Iztapas, ou em uma imagem de madeira, enfeitado com muitos lenços coloridos que representam gravatas, assim como vimos em Santiago Atitlan. Mas no fim, a figura, deus ou divindade é a mesma! O tal do Maximon adora cigarros, charutos, aguardente, dinheiro, refrigerante e algumas outras coisas! É assim que ele ajuda aos seus fiéis, por assim dizer! Em troca dessas interessantes oferendas! O cara num é bobo não!!!

Chegamos em San Andres Iztapas debaixo de uma boa chuva mas a curiosidade era grande! Seguimos a pé uma ladeira indicada pelo guia de viagem, que nos dizia aonde o Maximon estaria. A rua ficava cada vez mais vazia e nada. Cruzamos com um sujeito meio bêbado e resolvemos perguntar! Ele deu uma risada meio estranha e disse que o santo tinha mudado de lugar! Se era verdade ou não, difícil saber, mas a única maneira era confiar!

Embaixo de chuva, cruzamos a cidade a pé e chegamos no lugar indicado. Era uma rua de terra, cheia de lama, lojas e bares sinistros! Alguns se aproximaram de nós oferecendo limpezas espirituais e leitura da mão. As lojas tinham velas coloridas, muitas pretas e vermelhas, bebida alcóolica, amuletos estranhos, incensos e imagens meio macabras.

Achamos a casa do Maximon! Era uma espécie de igreja com uma pátio grande. Em frente a entrada uma família fazia uma fogueira e rezava. A tal da igreja tinha duas portas lado a lado. Uma era entrada e outra saída. Respeitamos a placa e usamos a entrada. Lá dentro várias mesas para velas, paredes cobertas de fotos e pedidos ou agradecimentos ao Maximon, e algumas pessoas acendendo as velas e rezando. No fundo a imagem de Maximon com muitas flores, cigarros e garrafas de aguardente vazia aos seus pés.

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Primeiro ficamos ali meio chocados observando. As pessoas rezavam alto, as velas nas mesas eram de todas as cores e algumas pessoas acendiam cigarros, fumavam e deixavam os cigarros acesos junto às velas. Para ver o Maximon mais de perto subimos uma escada. Primeiro fui eu e o Di em seguida. Um cheiro muito forte de flor e bebida misturados. Bem desagradável. Fiquei ali olhando e pensando como tudo aquilo era diferente, único, estranho. Depois presenciamos um casal que subiu para rezar. Eles carregavam uma garrafa de aguardente cada um. Subiram até o Maximon separadamente, despejaram a garrafa inteira sobre as roupas dele e ficaram ali orando. Depois desceram as escadas de costas e andaram de costas até a saída da igreja, utilizando a porta de saída. A família que fazia a fogueira fora da igreja também entrou. Acenderam velas, fumaram, conversaram com o Maximon. Ficaram ali um tempo e também saíram de costas: pai, mãe e filhinho pequeno.

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Para nós o tempo que ficamos foi suficiente, e o momento diferente e interessante. Saímos de lá meio quietos, pensativos, cada um absorvendo e tentando entender aquela experiência à sua maneira.

Dias depois, já mais conscientes da história de Maximon, visitamos Santiago Atitlan, um vilarejo que leva bem a sério as crenças a essa divindade. Conhecemos um guia mirim que nos abordou assim que chegamos no píer da cidade e nos ofereceu para visitar a casa de Maximon. No caminho ele nos contou que o santo muda de casa todos os anos. São casas particulares de pessoas comuns, que ficam responsáveis por manter o local limpo, organizado e aberto aos fiéis e turistas. Mas quem fica ao lado de Maximon durante todo o dia organizando as oferendas são os confrades, membros de grande importância da comunidade maia.

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Chegamos numa casa e lá estava ele numa sala. Imagem de madeira, com suas gravatas coloridas e dois homens vestidos em roupas típicas sentados ao seu lado. O local era todo enfeitado por flores e velas. Algumas oferendas de

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dinheiro, bebida e cigarros na frente de Maximon. Enquanto estávamos lá, algumas pessoas entraram, conversaram em maia com os confrades, rezaram e se foram. Aprendemos também que os confrades colocam os cigarros oferecidos ao Maximon em sua boca para que ele possa fumar. Eles também mudam suas roupas. Há uma baú lotado de roupas somente para Maximon. E a família fica responsável por lavar suas roupas de tempos em tempos. A água da lavagem é considerada sagrada.

Quando há mudança de casa o santo é levado em procissão e as pessoas celebram e agradecem pelas ruas da cidade. Na páscoa, apesar da resistência da igreja católica há uma pequena capela anexada à catedral da cidade, aonde o Maximon passa alguns dias para ser adorado.

Ficamos por ali mais algum tempo, pagamos para tirar algumas fotos, fizemos muitas perguntas e fomos embora. Certos de que o sincretismo é algo tão rico, tão incrível que pode criar religiões e crenças!

No fim o que importa não é a figura que você acredita mas a fé que você tem na vida e nos valores que você considera mais importantes! Estamos aprendendo muito com tudo isso e essas experiências só nos despertaram ainda mais curiosidade para entender e observar as diferentes formas de crenças e religiões ao redor do mundo!Guatemala is a country full of cultural surprises and getting to know Maximon was at least curious !

 

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Comentários

Comments 3

  1. Rafael

    Olá Gabriela tudo bem? estive recentemente na Guatemala e pude numa determinada ocasião, em Chichicastenango, assistir a uma manifestação a Maximon, como a que você descreveu no texto. Confesso que, embora saiba que devemos sempre respeitar a cultura do lugar, achei meio sinistro e talvez pela falta de informação do meu guia, saí sem entender e com uma baita preconceito. Achei meio estranho o uso de cigarro, bebida e dinheiro e todo aquele universo, inclusive um casal de americanos que estavam comigo deixaram no final uma nota de 10 quetzals (a moeda local) e o rapaz n queria aceitar de jeito nenhum,pois estava um pouco rasgada. Enfim, saí com uma péssima impressão, mas vou pesquisar um pouco mais á respeito. Abraço

  2. Marcio

    Sinistrasso… Nao entendi a conexao com a Igreja Catolica, achei que era uma herança maia. Curioso mesmo… bj

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