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Belize me!

Diego Ferro Volta ao Mundo 3 Comments

Finalizamos nossa passagem pelo México em alto estilo. Passamos por Bacalar, uma cidade com um azul de tirar o fôlego, digno de mar caribenho, e seguimos a nova terra desconhecida!

Entramos em nosso segundo país aproximadamente às 10 horas da manhã em horário local, 1 hora atrás do horário no México. O acesso foi com nossas casas nas costas! Diferente do que pensávamos, depois de um taxi coletivo e de um transporte público, cruzamos a ponte que liga os dois países caminhando! Em um calor abafado e úmido, entramos na zona franca que existe entre as fronteiras, em busca do posto imigratório.

A zona franca é um local onde se pode encontrar de tudo a preços mega baixos. Para nós, este trecho tratou de iniciar a transição do espanhol para o inglês, uma vez que as placas estão misturadas nestes dois idiomas. Pegamos o famoso Tuk-tuk para fugir do sol escaldante, e fomos para o escritório de imigração.

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Antes mesmo de entrarmos na imigração nos deparamos com dois homens. Um deles nos deu, sem pedirmos, todas as informações a respeito de transportes para a cidade de Belize, nosso destino, em um inglês quase incompreensível. Nos disse que o ônibus acabara de sair e que o próximo levaria mais de duas horas para chegar. O segundo rapaz, mais tranquilo, um negão de quase dois metros, nos disse em um inglês claro onde era a imigração e onde o ônibus passava.

Seguimos ao escritório de imigração, onde apresentamos nossos passaportes, adquirimos um visto válido por 15 dias, e enfim entramos no único país da América Central que tem como língua oficial, o inglês.

Obviamente, assim que colocamos nossos pés fora do escritório imigratório, estava nosso amigo de inglês difícil. De todas as formas tentou nos convencer a tomar uma van para a Cidade de Belize. Sentimos que algo estava estranho e, quando já tínhamos decidido por aguardar o ônibus, o negão da entrada apareceu atrás de uma cerca, esticou o pescoço e disse: “The bus is comming!“ – “O ônibus está vindo!”. Imediatamente o outro rapaz olhou com cara feia e se retirou do local.

Descobrimos mais adiante que fomos “apresentados” aos famosos Coyotes, pessoas que ficam nas fronteiras enganando os turistas mais “perdidos” em busca por um dinheiro rápido. Todas as informações dadas por estas pessoas são erradas e levam os turistas que acreditarem, o que não é difícil dada a convicção que eles tem no que dizem, a gastarem alguns muitos dólares a mais do que o realmente necessário.

HANDSonDREAM-Inspirando-0091Chegou nosso primeiro Chicken-bus! A América Central utiliza este como um dos principais meios de transportes. São antigos ônibus escolares americanos, aqueles amarelos, em estado precário de conservação, utilizados para cruzar todos os países.

Entramos no ônibus com toda a nossa equipagem, inclusive os mochilões, que tiveram que caber naquele espaço que fica sobre a cabeça dos passageiros. Com algum esforço assim o fizemos e nos sentamos em um banco estofado, obviamente sem espaço para comportar minhas longas pernas, que ficaram espremidas contra o banco da frente, esmagando meus joelhos, pelas 3 horas de viagem. Chicken Bus é assim!!!

No caminho começamos a entender um pouco da composição de Belize, um país com pouco mais de 300 mil habitantes e com cerca de 80% de seu território coberto por florestas. Os passageiros que inicialmente tinham fisionomia maia, foram aos poucos ficando pelo caminho, dando lugar a pessoas negras, altas, com rastafári nos cabelos e vestimentas em cores vivas e alegres. Estes são os chamados Criollos, negros trazidos da Guatemala, Jamaica e África, que compõe quase ¼ da população do país e habitam basicamente as grandes cidades e as cidades costeiras. Em uma hora de viagem éramos os únicos com pele clara dentro do chicken-bus.

Com os Criollos em massa, tentávamos prestar atenção no que falavam entre si. Parecia que falavam inglês, mas não podíamos entender nada! Na realidade, o que eles falavam era o dialeto Criolli, desenvolvido pelos escravos e atualmente falado por 75% dos Belizenhos, independente da etnia. Conforme nos explicou um belizenho, trata-se de “um inglês muito mal falado com a inclusão de algumas palavras“. Para nós, parecia uma língua completamente diferente!

A paisagem que víamos através das janelas era basicamente florestas e grandes áreas verdes. Entre largos campos de atividade agrícola e vastas florestas, o ônibus parava de cidade em cidade e nos mostrava um país humilde, com vida baseada na atividade rural. Em uma das paradas, vendedores ambulantes entraram no ônibus e começamos a sentir que realmente é o país o mais caro da América Central. Comemos um hambúrguer e uma deliciosa torta de limão, pagando mais do que estávamos acostumados a pagar no México.

Após 3 horas e meia, tendo percorrido um terço da costa do país, entramos na Cidade de Belize. A pobreza se fez ainda mais presente, em ruas mal conservadas, casas com tijolos aparentes, carros velhos e uma cidade desorganizada. Esta é a maior cidade do país, com quase um terço da população de Belize.

Chegamos em um terminal de ônibus no centro da cidade, cheio de pessoas indo e vindo, um policial pesadamente armado guardando o local, e muitos vendedores tentando nos convencer a comprar uma água, uma passagem de ônibus ou a tomar um taxi. É enlouquecedor! Por todos os lados alguém fala com você e quando você percebe esta prestes a fazer uma escolha, sem pensar. Nosso destino, após a Cidade de Belize, era a ilha Caye Caulker, a uma hora de lancha da capital. Compramos nossos tickets, tomamos um taxi e fomos para o píer de saída da companhia que escolhemos.

As ruas são tomadas por muita cor, pobreza e música. O raggae está por todos os lados, e há muita gente vestida com as cores da Jamaica e com os desenhos da maconha espalhados pelo corpo, bonés ou jaquetas.

Chegamos no píer e precisávamos comer algo. Sentamos em um restaurante onde uma negra simpática nos deu algumas informações. Sentamos em uma mesa compartilhada com duas pessoas que trabalhavam para o restaurante e estavam tentando, como sempre, nos vender algo. Depois de um tempo de bate papo entendemos que eles estavam tentando nos vender maconha. Como o inglês deles é difícil de entender e por lá, o cigarrinho do jovem conta com outro nome, demoramos um pouco para entender o que estava acontecendo. Recusamos e comemos nossa primeira refeição belizenha: um delicioso frango com arroz e salada! Uma comida próxima da nossa brasileira depois de dois meses de comida mexicana caiu muito bem!

Antes de zarparmos a Gabi ainda fez um tererê colorido, já entrando no ritmo do raggae!

Em Caye Caulker, uma das ilhas espalhadas pela segunda maior barreira de corais do mundo, chegamos debaixo de muita chuva. Com nossa bagagem molhada, começamos a busca por hotéis e tivemos nossa primeira experiência com locais. Falaremos em outro post sobre os detalhes da experiência nesta ilha maravilhosa, mas o que pudemos sentir foi um povo bastante rude e, de alguma forma, arrogante. O que sentimos foi que eles faziam questão de demonstrar que aquela era a terra deles, que eles mandavam ali. Apesar de adorarmos o lugar, o povo não era dos mais receptivos.

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De Caye Caulker decidimos conhecer um pouco do interior do país e fomos para San Ignácio, próximo a fronteira com a Guatemala. San Ignácio está no terceiro maior estado do país e vive de turismo e de atividade agrícola. Uma cidade bastante agradável, com uma ponte de ferro muito charmosa, uma praça central bem conservada e ruas simples. Diferente de nosso destino anterior, San Ignacio conta com um povo muito amável e hospitaleiro. Por todo os lados taxistas tentam arrumar uma corrida. Se estão em movimento, dão uma buzinada e sinalizam com as mãos, como se dissesse: “E aí? Vai pra onde?”. Aliás, esta é uma pergunta que efetivamente recebemos muitas vezes pelas ruas. O povo é meio curioso por lá.

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Saímos de lá em nosso oitavo dia e já vimos as ruas todas enfeitadas para a comemoração da independência: 31 anos de liberdade! Infelizmente não pudemos ficar para ver as comemorações… Vamos acompanhar as comemorações de independência da Guatemala, país vizinho que completa 192 anos. Um pouco mais velho, não?

Isto foi o que conseguimos extrair de nossos 8 dias por Belize! Valeu a pena ver um pouco da realidade deste pequeno país que, mesmo sendo novo, herda uma cultura incrível e apresenta claramente os impactos causados pelos colonizadores aos meios de vida atuais. Um país que ainda vive de forma muito ativa o sentimento de liberdade e que se esforça para aumentar sua capacidade produtiva e econômica, limitada por sua pequena população!

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Comentários

Comments 3

  1. Pat Alves

    Oi, Casal!

    Minhas próximas férias serão no México, Guatemala e Belize. Na verdade, no meu planejamento, será uma semana entre Belize e Guatemala, o restante é todo no México. Uma dúvida: como vocês saíram de Bacalar para Belize?
    Eu decidirei na hora se saio de Mérida (há um ônibus noturno para Cidade de Belize) ou de Chetumal. Aí, em Cidade de Belize, pego o ônibus para San Ignácio e lá conheço as ruínas de Xunantunich e a caverna ATM. Sigo para Tikal e volto para Cidade de Belize com destino a Caye Caulker.

    Eu tive uma péssima impressão sobre esta região fronteiriça de Belize ao ler seu post. Vocês viram se havia turistas mulheres sozinhas? Pretendo fazer esta viagem sozinha.

    Obrigada!

  2. felipe rosa pereira

    Ola pessoal!! Tudo bem?
    Sabe que o pessoal do centro norte da Itália também não é muito simpático no primeiro momento, mas com o passar do tempo, notamos que é realmente uma coisa de cultura.
    Não sei se é o caso dos Belizenhos, mas talvez com mais alguns dias, a impressão poderia mudar, não?

    Abraços e bom recomeço em um outro País.

    Felipe!

    1. Post
      Author
      Diego Ferro

      Oi Felipe! Tudo tranquilo?
      Realmente o tempo dentro de um país acaba mudando um pouco nosso feeling! No final das contas, depois de nossa semana em Belize, percebemos que a forma que o povo de Caye Caulker se comunica é diferente da forma como o povo se comunica no interior do país! Não dá para generalizar e dizer que o povo de Belize é rude! O que podemos afirmar é que sentimos as pessoas de Caye Caulker menos hospitaleiras do que as pessoas de San Ignacio, por exemplo!
      Ou seja, concordamos contigo! O tempo faz as impressões mudarem, para o bem ou para o mal! rs

      Abraços e valeu por nos acompanhar!!!
      Diego

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